25 de novembro de 2006

A Arca de Noé

Um dia, o Senhor chamou Noé, que morava em Porto Alegre, e ordenou-lhe: "Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira."
No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram os céus. Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens: "Onde está a arca, Noé?"
"Perdoe-me, Senhor" suplicou o homem. "Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas: Primeiro, eu tentei obter uma licença da Prefeitura, mas, para isso, além das altas taxas para obter o alvará, precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquela taxa de juros. O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas isso eu consegui contornar, subornando um funcionário. Começaram então os problemas com o IBAMA e a FEPAM para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens do Senhor, mas eles só queriam saber se eu tinha um Projeto de Reflorestamento e um tal de Plano de Manejo.
Neste meio tempo, eles descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal. Além da pesada multa, o fiscal falou em prisão inafiançável e eu acabei tendo que matar o fiscal, porque, para este crime, a lei é mais branda. Quando resolvi começar a obra na raça, o CREA me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção. Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano. Veio em seguida a Receita Federal, falando em sinais exteriores de riqueza, e também me multou.
Finalmente, quando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente pediu o Relatório de Impacto Ambiental sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil. Quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico! Sorte que o INSS estava de greve..."
Noé terminou o seu relato chorando, mas notou que o céu clareava e perguntou: "Senhor, então não irás destruir o Brasil?"
"Não!" respondeu a voz entre as nuvens. "Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde. Os políticos já se encarregaram de fazer isso!"
(autor desconhecido)

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L.Kiyoshi. from Vietnan

15 de novembro de 2006

Vida simples, vida feliz

Dicas de uma vida feliz e saudável:
Mantenha a saúde. Sorria, ou melhor, gargalhe. Use o fio dental diariamente. Mantenha pelo menos um amigo. Ouça música. Equilibre sua alimentação. Admire o por-do-sol. Troque o estressante escritório por uma atividade ao ar livre. Aproveite e troque o carro por uma bicicleta. Coma menos fritura e comida industrializada. Tenha um animal de estimação. Colabore como voluntário para uma ONG ou projeto social. Viaje mais. Apaixone-se mais. Sempre use filtro solar. Namore mais. Tome uma chuvinha de verão. Esvazie sua agenda. Tenha vida social. Desligue a TV. Pratique esportes. Caminhe mais. Evita brigas. Passe mais tempo perto da natureza. Inspire profundamente. Dedique-se a um hobby. Creia profundamente em algo, mesmo que isso seja crer na inexistência de Deus. Pare com a auto-medicação. Arrisque-se mais. Assista filmes, leia livros. Cuide mais do jardim.

Você provavelmente já ouviu tudo isso, várias vezes. Mas dificilmente ouviu a principal de todas: não esquente se você não conseguir cumprir alguma(s) dessas recomendações. Não transforme a busca por uma vida melhor em obsessão.

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L.Kiyoshi. from Vietnan

10 de novembro de 2006

O conto do viking contemporâneo

No ano de 937, no reino da Islândia, um território viking, nasceu uma pessoa destinada a ser milenar. Ele, em sua infância, não parecia que seria especial. Até que o norueguês Erik, o Vermelho, o maior navegador viking de todos os tempos, foi exilado na Islândia. Logo, nosso herói conheceu a figura mítica, o guerreiro dos guerreiros. E não demorou a ser admitido no grupo dele.
Navegando pelos gelados mares do norte, o grupo pilhou e atacou diversas localidades. Até que, ao chegar na Irlanda, quando nosso herói já tinha aproximadamente 60 anos (por falta de registros históricos, é impossível determinar com precisão qual a idade que ele tinha), ele resolveu interromper sua carreira de aventuras. E passou a morar na ilha, um dos últimos refúgios celtas.
Na ilha, ele teve contato com druidas, os sacerdotes desse povo, hábeis com mágica e poções. Preocupado com a idade avançada, nosso herói pediu-lhes uma mágica para a eternidade. Os druidas lhe concederam este desejo, mas o feitiço gerou um efeito colateral: como a eternidade desafiava o continuum temporal, ele passou a alterar a corrente do tempo ao seu redor. O tempo passava mais devagar para quem estivesse perto dele. Assim, muitas pessoas envelheceram ao passar muito tempo seguido com ele, já que ele fazia anos caberem em uma volta do ponteiro dos relogios.
Desiludido com a magia druida, já que os resultados obtidos foram diferentes do esperado (ele perdeu diversos amigos por velhice), ele resolveu entrar para o mundo ainda pouco disseminado da ciência (há quem diga que seus estudos estavam entra as bases do Renascentismo).
Logo, ele se tornou um dos maiores expoentes da ciência. Séculos mais tarde, ele estaria presente no Beagle, o navio onde Darwin fez uma viagem ao redor do mundo - e onde criaria a teoria da seleção natural. Darwin admitiu que ficou envergonhado por ter ficado conhecido por sua teoria, quando havia um cientista muito mais importante e experiente também a bordo do navio.
Nessas andanças pelo mundo, nosso herói viking acabou chegando na terra em que tudo pode acontecer, menos o que é justo. Sim, ele parou em nosso querido Brasil. E soube que havia uma nova universidade sendo construída. Uma tal de USP Leste. E decidiu que seria bom começar novamente. Adotou o nome de Waldir Mantovani, e, com sua experiência, logo se tornou coordenador do curso de Gestão Ambiental (área que ele se aproximou depois de saber que o degelo causado pelo aquecimento global poderia afetar as geleiras de sua terra natal, a Islândia), muito embora almeje algo mais - a direção. E essa é história do nosso digníssimo professor.

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L.Kiyoshi. from Vietnan

30 de outubro de 2006

MENTIRAS, INTRIGAS E FALTA DE AMADURECIMENTO

Pq as pessoas inventam histórias sobre as outras?! pq cada um naum cuida da sua vidinha patética ao invés de colocar pessoas no meio de confusões pessoais?
Pq sempre eu tenho q ser o alvo de alguma mentira, ou alguma acusação infantil?!
E pq além disso tudo colocam o nome de outras pessoas, q eu gosto pra caramba, no meio disso td afim de acabar com a amizade q tenho por elas?!
Naum basta termos q dar conta de nossos próprios pensamentos e de nossa vida?! NAUM!! queremos mais... queremos fazer intrigas, contar mentiras, cultivar inimigos... pra quê?! pra quê td isso?!
Eu cansei... tô desistindo desse teatro... falem o q quiserem... eu me conheço e conheço os q sempre estão comigo... nada mais me abala...
"e digam o q disserem/ o mal do século é a solidão/cada um de nós imerso em sua própria arrogância/esperando um pouco de afeição"
Eu naum vou me vingar.... apenas saberei com quem devo lidar... e em quem acreditar...
PRO INFERNO COM TUDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
desculpe o desabafo....

Eleições

Eleições terminadas ontem. Já à noite sabíamos o resultado, embora soubéssemos que o resultado seria o mesmo, não importa quem vencesse. Após semanas e semanas com os dois Napoleões se batendo, descobrimos quem perdeu a batalha de Waterloo: o povo brasileiro.

Como diz o ditado: então estamos combinados: tudo certo e nada resolvido.

Apesar dos tucanos contestarem a vitória do Lula (é muita covardia um batalhão de aves contra apenas um molusco, que ainda por cima perdeu o tentáculo mindinho), agora já não adianta chorar sobre o leite que Freud, Vedoin, Berzoini e cia. limitada derramaram.

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L.Kiyoshi. from Vietnan

24 de outubro de 2006

O que é, o que é?

(Cena do filme "Feitiço no Rio", de 1984)

Uma chance pra descobrir, pela foto, por quê é um filme estadunidense passado no Brasil - sem apelar para a geografia, é claro.

(DICA: atente aos figurinos - ou falta de)

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L.Kiyoshi. from Vietnan

20 de outubro de 2006

Os números das eleições

Numerologia a favor dos candidatos:

Dia das eleições - 29/10/06

29 + 10 + 06 = 45
(número de Alckmin)

29 - 10 - 06 = 13
(número de Lula)

Essa brincadeira já rola faz algum tempo na internet. Ninguém sabe quem começou.

Moral da história: enquanto os partidários dos candidatos ficam brincando de numerologia, os valores que realmente interessam (spread bancário, juros, impostos, salário mínimo, orçamento, etc.) são deixados de lado.

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L.Kiyoshi. from Vietnan

16 de outubro de 2006

Dez anos sem Renato Russo (parte 2)

O mito, o santo, descansa em um pedestal dourado no céu da cultura. E o homem se contorce em sua tumba por causa da imagem perfeita que se formou ao seu redor (muitas vezes, fomentada pela indústria fonográfica, ávida por explorar o espólio deixado por Renato Russo, como comprovam as toneladas de CDs lançados postuamente, a grande maioria com as mesmas músicas).
Renato, o mito, era um iluminado, capaz de traduzir em palavras os caminhos tortuosos da alma humana. Renato, o humano, era gay, alcoolatra, adicto, depressivo, promíscuo, agressivo. Renato, o mito, dotou de virtude o niilismo deixado pelo punk e o pós-punk. Renato, o humano, era um artista intransigente e quase autoritário. Renato, o mito, elevou Renato, o humano. Renato, o humano, negou Renato, o mito. Renato, o mito, tinha a resposta. Renato, o humano, não sabia qual era a pergunta.
Cara e coroa. E essa dualidade, essa profundidade, foi pouco revisitada nessa semana que passou. Foi ofuscado pelo dia das crianças e pelos 20 anos da Xuxa na Rede Globo. É uma pena. Há muito mais coisa entre a afirmação de independência punk do verso "Tire suas mãos de mim, que eu não pertenço a você" (Verso inicial de Será, primeira música do disco Legião Urbana, o primeiro, de 1985) e o entregamento total de "Fazei com que eu chegue são e salvo na casa da Noélia" (Último verso de Travessia Do Eixão, última música de Uma Outra Estação, último disco, de 1997, lançado após a morte de Renato Russo) do que realmente foi explorado pela mídia. A imagem do mito é mais lucrativa.


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L.Kiyoshi. from Vietnan

15 de outubro de 2006

O Mentecapto dentro de cada um de nós


"Foi ele, esse iluminado de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta! Num momento em que meu ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça. Foi ele quem amou a mulher e a colocou num pedestal e lhe ofertou uma flor. Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa-de-força com que tolhiam o seu protesto. Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem iníqua dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, pária, negro, judeu, índio, santo, poeta, mendigo e débil mental. Viramundo! Que um dia há de rebelar-se dentro de mim, enfim liberto, poderoso na sua fragilidade, terrível na pureza de sua loucura".

Trecho do livro "O Grande Mentecapto", de Fernando Sabino.

"Donde leese por la fuerza de las cosas, lease: por la debilidad de los hombres"

13 de outubro de 2006

aigìL

conheci A garota
coração preenchido
pela garota nem uma gota
mas que áureo!

conheci o cotidiano
tempo preenchido
dedicação de mili-ano
um prazer só.

conheci meu muro
olhando pra cima
meti a marreta
subi na escadinha.

conheci lá fora.
numa festa a fantasia
A vi na hora
bengala aos 20 anos.

conheci a jogatina
investi na liberdade
até que com maldade
Me conheci.


J. Xico

11 de outubro de 2006

Dez anos sem Renato Russo. (27/03/1960 - 11/10/1996)

"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais

Quando eu lhe dizia:
- Me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse:
Eu gosto de você também
Só que você foi embora
Cedo demais

Eu continuo aqui
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Um dia de chuva
Um dia de sol
E o que eu sinto não sei dizer

- Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais
E cedo demais

Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu, que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre, mas eu sei
Que você está bem agora
É só que este ano
O verão acabou
Cedo demais"

Love In The Afternoon - Legião Urbana
Música: Dado Villa-Lobos e Renato Russo
Letra: Renato Russo
Lançado originalmente no disco "O Descobrimento Do Brasil" (1992)



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L.Kiyoshi. from Vietnan

2 de outubro de 2006

No Paraíso

Um dia, no Jardim do Paraíso, Eva falou para Deus:
- Senhor, tenho um problema.
- Qual é o seu problema, Eva?
- Senhor, eu sei que me criaste, me deste este lindo jardim, estes maravilhosos animais, até essa serpente engraçadinha, mas eu não me sinto feliz.
- Por que isso, Eva?
- Senhor, eu estou solitária, e já não aqüento mais maçãs.
- Bom, Eva, neste caso, eu acho que tenho a solução: eu posso criar um homem pra você.
- O que é um homem, senhor?
- Homem é uma criatura defeituosa, com tendências agressivas, um ego gigantesco e incapaz de compreendê-la ou escutá-la. Ele vai realmente te dar muito trabalho. Entretanto, ele será maior, mais rápido e terá mais músculos que você. Ele será muito bom para lutar, chutar uma bola e caçar ruminantes indefesos. Você pode usá-lo para seu prazer e para carregar pacotes, abrir a porta, trocar o pneu do carro e pagar suas contas. Ele não terá praticamente nenhuma utilidade fora as que Eu citei.
- Parece ótimo... - diz Eva, levantando ironicamente a sobrancelha.
- Sim, bem, ele é realmente melhor do que, digamos, um furo no olho com um ferro em brasa. Mas, para tê-lo, há uma condição.
- Qual é, Senhor?
- Você deve deixá-lo pensar que eu o fiz primeiro!

(autor desconhecido)

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L.Kiyoshi. from Vietnan

23 de setembro de 2006

Allah. Javé. Ou ambos.

Neste conturbado ano (no calendário gregoriano, convém lembrar) de 2006, as coisas estão realmente complicadas no Oriente Médio. Não que os anteriores tivesse sido melhores, mas neste ano as coisas foram (quase) às vias de fato.
O ano começou no calor dos protestos contra as charges de Maomé publicadas por um jornal dinamarquês. Na Palestina, que elegeu o Hamas como autoridade máxima, nada de novo no front, o que significa: nada de paz. O mesmo pode ser dito do Iraque e do Afeganistão, embora este ocupe bem menos os noticiários. O ano prosseguiu, embora a paz retrogredisse cada vez mais. Até que houve o auge: Israel praticamente destrói o Líbano, usando como desculpa o seqüestro de três de seus soldados pelo Hezbollah (ou Hezbolá, como preferem alguns jornalistas). Mas não acaba com o grupo. Poucas querras tiveram tantas baixas civis, afinal, o Hezbollah não é propriamente um exército (e sabe se valer de sua situação de movimento civil). Israel entrou numa guerra já perdida. Isso praticamente ao mesmo tempo em que o presidente do Irã, que não acredita no Holocausto e disse que preferiria varrer Israel do mapa, caminha em direção à produção de armamento nuclear (apesar de suas declarações de que o enriquecimento de Urânio é para fins pacíficos). E numa mostra de que ainda estava longe de acabar, uma citação feita pelo papa Bento XVI provocou nova onda de protestos. A citação, diga-se de passagem, é a única parte do discurso por ele feito que enfurace os seguidores de Maomé; todo o resto seria muito favorável, até poderia ser parafraseado por alguns líderes muçulmanos radicais.
2006 tem sido um ano difícil por aqueles lados mesmo. Por isso, não deixa de ser curioso que as principais datas festivas das duas religiões (OBS: religião, etnia e nação são coisas distintas, embora as fronteiras entre essas palavras sejam meio enevoadas naquela região), o judaísmo e o islamismo, estejam tão próximas no calendário. No dia 22 de setembro do ano de 2006 do calendário gregoriano, tem início, para os judeus, o ano de 5767. No dia seguinte, 23, é o início do Ramadã, mês sagrado do Islã.
Dentro desse espírito, o poeta árabe-israelense Salman Masalha propôs um projeto: apagar o passado e olhar para o futuro, numa nova nação englobando toda a Palestina e Israel, que passaria a se chamar Homeland (Terra Do Nosso Lar), em inglês mesmo para evitar discussões sobre origem hebraica ou árabe.
É uma boa iniciativa e mostra que, apesar das opiniões (e ações) de alguns líderes, ainda é possível acreditar que seus povos não querem que o fim do mundo tenha início naquele pedaço de terra, que o petróleo torna explosivo. Não é muito, mas é um começo.

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L.Kiyoshi. from Vietnan

6 de setembro de 2006

Neologismos - Cadê eles?

Vivemos uma era bastante pobre. Não me refiro a riqueza material, pois elas circulam pelo mundo cada vez mais (embora sempre nas mesmas mãos). A riqueza a que me refiro é abstrata. Há tempos, não se cria novas palavras.
Desde a criação dos tipos móveis, e a distribuição das obras em escala industrial que essa invenção proporcionou, é cada vez mais raro o aparecimento de novas palavras. Mas é na época atual, da Internet, da globalização, quer as palavras se cristalizaram de vez. Os "erros" e "enganos" são corrigidos em tempo real. As invenções e descobertas contemporâneas recebem nomes compostos de partes cuja raiz pode-se seguir até o longínquo latim clássico. E o que não recebe nome vindo do grego arcaico é batizado por outra técnica: o estrangeirismo. Muitas coisas tem seus nomes tirados de palavras correntes em línguas estrangeiras (em especial, do quase onipresente Inglês). E ainda há siglas que acabam virando palavras.
Não concorda? Diga então uma palavra genuinamente brasileira, que foi simplesmente inventada, sem que se possa percorrer toda a sua etimologia até o proto-indo-europeu falado na Idade do Bronze ou retirada de línguas indígenas ou orientais. Uma palavra que não se parece com nada.
Exemplos correntes: computador, objeto tão presente em nossas vidas (tanto que permitiu a elaboração e publicação deste texto), por exemplo, tem origem em computar (calcular). Customizar, vem do inglês custom (personalizado). E muitas das palavras que "parecem" ter surgido do nada seguem caminhos razoavelmente parecidos.
Não há mais criações elegantes e ao mesmo tempo práticas nos tempos atuais. Metáforas e catacreses as substituiram. Não temos palavras contemporâneas. É uma era realmente pobre.

(OBS: Como devem ter notado, não há neologismos neste texto.)

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L.Kiyoshi. from Vietnan

5 de agosto de 2006

Título virá depois

Não sei o propósito inicial desse texto. Acho que sua única finalidade é ser escrito; tem um fim em si mesmo. Talvez sirva pra algo, algo que eu não sei, pois nem mesmo o escrevi ainda. Gostaria de começar com um reflexão sobre nossa vida. Isso mesmo nossa vida, a minha, a sua, e aquela de quem nem ao menos se deu ao trabalho de ler o que está escrito aqui. Mas nossas vidas analisadas individualmente. Você, ser social que é, pode argumentar ah para que falar de uma vida individualmente se o ser humano vive em sociedade? Acho este argumento bastante plausível, mas acho que a complexidade da vida dá a ela a possibilidade de ser analisada individualmente. Como poderemos pensar no ser humano dentro da sociedade se muitas vezes não conhecemos nós mesmos. Ah, então este texto é uma digressão psicológica de um leigo no assunto? Sim, alias tomarei está como a definição do presente texto. Até agora pouca objetividade não é?! Bem, mudemos isso então.

Poucas vezes paramos pra refletir sobre nossas vidas. Nossa tão vida tão “agitada” nos impede de fazer a auto-analise que eu acredito ser necessária. Talvez isso não ocorra com todo mundo. Talvez não ocorra com quase ninguém, só comigo mesmo. Mas enfim não quero dar validade científica ao meu argumento apenas expressá-lo. Não digo que auto-analises até não sejam freqüentes. Mas a maioria delas são superficiais, e este argumento sim desafio alguém que me prove o contrário. E muitas vezes essa reflexões acabam saindo no foco principal que é nós mesmos, nossa vida. Acabamos colocando questões sociais no meio, acabamos sempre querendo deixar o que já é essencialmente complexo mais ainda. Talvez seja difícil entender o que estou falando. Em suma, o que eu gostaria de expressar é que não podemos levar nossa vida sem pensar em cada atitude que tomamos, em cada sentimento que temos. Pensamento de um estudante de administração que quer levar pra sua vida o que aprende em suas aulinhas na faculdade? Sim, exatamente, mas não acho que isso desmereça meus argumentos. A vida é uma grande escola. Uma escola na qual aprendemos mais do que em qualquer outra. Toda ação tem uma reação, assim como na física, mas nesse caso ela não é necessariamente em sentido oposto e de mesma intensidade. Sua direção, sentido e intensidade são variáveis, mas que a reação existe é um fato. Uma atitude errada, trará más resultados necessariamente, mesmo que não percebamos. Nesta escola nunca saímos impunes ao nossos erros. Da mesma forma nossos acertos são plenamente recompensados, mas também podemos passar despercebidos, dada a nossa inevitável (ou não) tendência de supervalorizar as coisas ruins que acontecem em nossas vidas. Argumentos que sustentem isso que estou afirmando não faltam. Mas que ninguém queira fazer eu mudar de idéia neste ponto, pois isto já é um axioma para mim. Qualquer tentativa será em vão. E nesta escola aprendemos muito. Muito mesmo. Já disse isso, eu sei. Mas me corrijo. Não sei se aprendemos tanto. Temos muitas oportunidades para aprender mas muitas vezes não o fazemos. As situações ocorrem repetidamente em nossa vidas mas nós não tomamos qualquer tipo de atitude. Continuamos agindo da mesma forma errada que sempre agimos. Por quê? Porque é conveniente fazer isso. Mas a conveniência merece um texto individual para ser discutida.

Meu texto está desconexo? Acredito que não. O que a análise individual tem haver com isso que acabei de falar? Tudo. É através dela e somente através dela que poderemos evitar a repetição desses nossos erros na nossa vida. Não queiramos ter a pretensão de parar de errar. Isso faz parte do processo. Mas podemos pelo menos persistir menos em nossos erros. Ah, isso podemos sim! E só analisando com muito cuidado nossa vida, poderemos fazer isso. Esse trabalho pode parecer inútil a princípio. Mas não é. É extremamente necessário. Vamos parar de dar a nossa vida a mesma importância que damos para as coisas mais fúteis. Vamos conduzi-la com sabedoria e não com senso comum, pois só assim poderemos crescer como pessoas e aspirar qualquer outra coisa.

-- Carlos --

4 de agosto de 2006

No princípio eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aqueleQue traria a salvação
Mas isso não bastariaPara eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!
( O Autor é Desconhecido, mas ...um verdadeiro sábio......)

8 de julho de 2006

Base forte


Faço, desfaço
entro, saio
muita cola e paciência

Desarrumo, arrumo
xaveco, desveco
muita cola e paciência

Liberto, tranco
chove, não molha
muita cola e paciência

Pá, não pá
parapapá, parapá
só muita cola e paciência

J. XiCo

1 de julho de 2006

Copa: Espetáculo versus Xenofobismo


"Listas verticais, listas horizontais, círculos e cruzes, águias e martelos. Meros símbolos arbitrários. Mas toda realidade a que foi associado um síbolo torna-se dessa forma subordinada a esse símbolo. Goswami e Ali viviam em paz. Mas eu arrenjei uma bandeira, tu arranjaste uma bandeira, todos os filhos do Deus-Macaco arranjaram bandeiras. Assim até Ali e Goswami arranjaram bandeiras; e por causa das bandeiras passou imediatamente a ser justo e correto que quem tem prepúcio estripe quem não o tem, e que o circunciso fuzile o incircunciso, viole sua mulher e asse seus filhos em fogo lento".

Trecho do livro "O Macaco e a Essência"

J. XiCo

23 de junho de 2006

Violino


ERA UMA VEZ um grande violinista chamado PAGANINI.
Alguns diziam que ele era muito estranho.
Outros, que era sobrenatural.
As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de ver seu espetáculo.
Numa certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo.A orquestra entrou e foi aplaudida.O maestro foi ovacionado.
Mas quando a figura de Paganini surgiu, triunfante, o público delirou.
Paganini coloca seu violinono ombro e o que se assiste a seguir é indescritível.
Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias esemicolcheias parecem ter asas e voar com o toquedaqueles dedos encantados.
DE REPENTE, um som estranho interrompe o devaneio da platéia.
Uma das cordas do violino de Paganini arrebenta.
O maestro parou.
A orquestra parou.
O público parou.
Mas Paganini não parou.
Olhando para sua partitura, ele continua a tirar sons deliciosos de um violino com problemas.
O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar.
Mal o público se acalmou quando, DE REPENTE,um outro som pertubador derruba a atenção dos assistentes.
Uma outra corda do violino de Paganini se rompe
O maestro parou de novo.
A orquestra parou de novo
Paganini não parou.
Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldadese avançou tirando sons do impossível.
O maestro e a orquestra, impressionados voltam a tocar.
Mas o público não poderia imaginaro que iria acontecer a seguir.
Todas as pessoas, pasmas, gritaram OOHHH!
Que ecoou pela abobadilha daquele auditório.Uma terceira corda do violino de Paganini se quebra
O maestro pára.
A orquestra pára.
A respiração do público pára.
Mas Paganini não pára
Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído.
Nenhuma nota foi esquecida.
O maestro empolgado se anima.
A orquestra se motiva.
O público parte do silêncio para a euforia,da inércia para o delírio.
Paganini atinge a glória.
Seu nome corre através do tempo.
Ele não é apenas um violinista genial.
É o símbolo do profissional que continua diante do impossível.

MORAL DA HISTÓRIA
Eu não sei o tipo de problemas que você está tendo.
Pode ser um problema pessoal, conjugal, familiar,sei lá o quê é que está afetando sua estima ou seudesempenho profissional
Mas uma coisa eu sei.
Nem tudo está perdido.
Ainda existe uma corda e é tocando nela que você exercerá seu talento.
Tocando nela é que você irá vibrar.
Aprenda a aceitar que a vida sempre lhe deixaráuma última corda.
Quando você estiver desanimada, nunca desista.
Ainda existirá a corda da persistência inteligente, do"tentar mais uma vez ",do dar um passo a mais com um enfoque novo.
Desperte o Paganini que existe dentro de vocêe avance para vencer.
Vitória é a arte de você continuar,onde os outros resolvem parar.
Quando tudo parece ruir, dê uma oportunidade a você mesma e vá em frente.
Toque na corda da motivação e tire sons deresultados positivos.
Mas antes pergunte:
quem motiva o motivador?
Isto é: quem motiva seu cérebro,que motiva sua mão, que toca seu violino ?
Não se frustre, não se desespere, lembre-se: ainda existe a última corda:
a do aprender de novo para deslumbrar e gerar soluções.
Nunca a vida lhe quebrará todas as cordas.
Se os resultados estão mal, é a sua oportunidade de tocar a última corda, a da imaginação que reinventa o futuro com inovação contínua.
É sempre a corda esquecida que lhe dará o maior resultado.
Mas, se por acaso, você estiver mesma no fundo do poço, esta é a sua oportunidade de tocar na melhor corda do universo:
ACREDITAR EM VOCÊ !!!
UMA BOA DICA: Pesquise sobre Paganini... Irá se surpreender.
Natália

"Liberdade" da USP


Dispenso palavras.

J. XiCo

16 de junho de 2006

Rumo ao Hexa

160 milhões em ação...pra frente Brasil... salve a seleção!!!
Começa mais uma copa e com ela começa um aeuforia sem igual no povo brasileiro, que passa a viver em função dos jogos de sua seleção. Se o Brasil vai bem na copa, o país está bem. Caso contrário, o país se afunda numa tristeza, que nenhum outro acontecimento público, isso inclui qualquer um ligado a nossa política, poderia proporcionar. Deveria contecer isso? Não sei, só sei que simplesmente acontece. Sim, a copa tem um efeito anestesiador sobre nossa população. Sim, o povo se esquece de seus graves problemas nessa época, mas será que lembra deles em outras épocas? A crítica ao clima que se instaura no país durante a copa pode ser forte; não faltariam argumentos pra quem a fizesse. Poderíamos nos fartar de utilizarmos argumentos como o país naum pode viver em função do futebol, questões muito mais importantes para o país como um todo são simplesmente deixadas de lado, entre outros dos milhares de argumentos possíveis. Eu concordo com eles. Realmente o que se vê é uma moderna política do pão e circo: o circo dá lugar aos nossos craques que mostram seu futebol em campo; e quanto ao pão? bem ele não existem pra todos mas que ligar pra isso, quando temos um circo tão bonito? Mas ao contrário do que parece aparentemente meu intuito não é criticar esse cenário que se cria de 4 em 4 anos no nosso país, mas muito mais defendê-lo. Defendê-lo sem o ufanismo de um torcedor, mas sim com a razão de quen analisa, ou pelo menos tenta, analisar todo o contexto. Minha defesa está no seguinte: estaria o país diferente se não houvesse tudo isso? Alguma coisa mudaria? Sinceramente eu acho que os problemas continuariam, e a paopulação os sentiria mais diretamente, pois não teria a sua anestesia. Se o clima trazido pela copa do mundo não traz benefícios estruturais para o nosso país, acredito que não traz malefícios. Traz apenas a sensação de que essas pessoas tem do que se orgulhar: a sua seleção de futebol. Deveriam se contentar com isso? Acredito sinceramente que não. Mas acho que a solução do problema é muito mais complexa do que a simples crítica à copa. E enquanto a solução não vem, aproveitemos o circo, pois não é sempre que ele se mostra em grande estilo como agora.

Carlos

11 de junho de 2006

os Males e o Alcoolismo

Dicas para curar os males de um alcoólatra (anote):

Para curar sua paixão, beba pinga com limão;
Para curar sua amargura, beba pinga sem mistura;
Para curar dor-de-cotovelo, beba cachaça com gelo;
Contra falta de carinho: cachaça, cerveja e vinho!
Se brigar com a namorada, beba pinga misturada;
Se brigar com a mulher, beba pinga na colher;
Quem dá amor e não recebe, mistura todas e bebe;
E se alguém te faz sofrer, beba para esquecer!!!
Para curar seu sofrimento, beba pinga com fermento;
Para esquecer um falso amor, beba pinga com licor;
Para acalmar seu coração, beba té cair no chão;
E se a vida não tem graça, encha a cara de cachaça!!!
Pra você ganhar no bicho, beba uma no capricho;
Pra ganhar na loteria, beba pinga na bacia;
Pra viver sempre feliz, beba pinga com raiz;
E se você não tem sorte, beba pinga até a morte!
Se a vida só te faz sofrer, o remédio é beber...

J. XiCo

28 de maio de 2006

ôtra música!!


O Que Será

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota a flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos, vão aliviar
Nem todos os quebranto, toda alquimia
Quem nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha, me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Oswaldo Montenegro

post de J. XiCo

26 de maio de 2006

Mãos

Uma musiquinha q eu curto....
olha só meu primeiro post aki.....

Almir Guineto - Mãos

Mãos, se rendem
Pra outras que tudo levam
Quase em extinção
Mãos honestas, amorosas
Em nossas pobres mãos
Que batem as cordas

Pago pra ver
Quei...mar em brasa
As mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam reús
Em troca do vil metal
As mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam reús
Em troca do vil metal

Mãos de infiéis
Revés que não contentam
Movendo a diretriz tão fraudulenta
Sem réu e sem juiz
Mãos não se acorrentam
Justiça põe as mãos na consciência

Ato que fez Pilatos
Lavando suas mãos
É o mesmo que injustiça
feita com as próprias mãos
As mãos que fracassaram
Na torre de Babel
Porque desafiaram
As mãos do céu

-- Carlos--

A Grandeza humana


"'Nada sabendo do que tem por certo...' E é quase desnecessário acrescentar que o que nós chamamos de conhecimento, nada mais é do que outra forma de Ignorância -- altamente organizada, é certo, e eminentemente científica, mas por isso mesmo tanto mais completa, tanto mais produtora de símios enfurecidos. Quando a Ignorância era simplesmente ignorância, nós éramos equivalentes a lêmures, sagüis e macacos urradores. Hoje, graças à Ignorância Superior que é o nosso conhecimento, a estatura do homem cresceu a um ponto tal que o menor dentre nós é agora um babuíno, o maior um orangotango, ou até mesmo, se se alça à categoria de Salvador da Sociedade, um legítimo gorila".

Trecho do livro "O Macaco e a Essência", de Aldous Huxley.

22 de maio de 2006

O Macaco e a Essência

Crueldade e compaixão vêm com os cromossomos;
Todos os homens são bons e todos assassinos.
Afeiçoados a cães constroem suas prisões;
Queimam cidades inteiras e acariciam os órfãos;
Clamam contra os linchamentos, mas apóiam Jardins¹;
Fazem projetos de filantropia, mas hoje a polícia.
Quem devemos perseguir, quem lamentar?
É tudo uma questão das modas do momento,
De palavras no papel, de rádios vozeirando,
De jardins de infância comunistas ou primeiras-comunhões;
Só no conhecimento de sua própria Essência
Deixam de ser os homens um bando de macacos.

¹Região mais nobre da cidade de São Paulo

Adaptação de J. XiCo, de um trecho do livro "O Macaco e a Essência" - Aldous Huxley
Imagem da capa do livro

18 de maio de 2006

Um desabafo arranhado

"Convite a reflexão e a uma resposta, não só agora, mas constantemente:
O estado mais importante da federação encontra-se fora dos trilhos, sem condução, e totalmente perdido entre corrupção, desigualdade social, terror e pior, frustração.
Seria muito hipócrita da minha parte dizer que sou dos que mais está assustado, ou sofrendo com a situação de caos que sofre o estado de São Paulo. Posso pegar meu carro, sair da minha segura casa, chegar até a universidade pública na qual há um grande esquema de segurança, ter aula e voltar calmamente ao conforto do meu lar.
Mas olhar a falta de algum tipo de perspectiva por parte dos cidadãos da nossa cidade é no mínimo triste.
Policiais pobres aos seus 20 anos, buscando um caminho decente para vencer em um sistema brasileiro no qual não há nenhum tipo de comprometimento por parte de nós ou muito menos dos governantes em fornecer um sistema decente de educação.
A busca pelo enjaulamento em nossas casas, em frente a televisão, nós xingamos, esbravejamos, até choramos, e em coisa de segundos mudamos o canal em busca de uma novela para ver se esquecemos da baderna, da zona, da desorganização que vivemos.
A luta vazia e manchada entre governantes, por algo que não é cabível pensar, o poder dentro de um país que vive a margem do amadorismo administrativo, do populismo cuspido e da relação pública-privada prostituída, nos faz repensar o que deve ser feito dentro deste país, desta nação, deste povo. Ouvimos sobre reforma geral, sobre re-estruturação e por fim, o que nos cansa, é tanto falar e pouco agir. E não falo aqui de poderes separados, falo de sociedade, de nós - engrenagem pública tanto de contestação quanto de ação. Em São Paulo um partido a 12 anos no poder e uma clara impotência de gestão social, um prefeito que se elege e abdica, um governador que abdica e quando estoura uma crise com seu vice não dá as caras e um presidente que sem comando fica nas costas do ministro do judiciário. Amadorismo!
Que vivemos uma guerra civil intrínseca, nas raízes do abismo social, não é notícia nova a nenhum de nós, mas infelizmente a cultura ao profissionalismo e a falta de renda e serviços públicos faz com que lutemos contra nós mesmo por empregos cada vez mais exploratórios, nos trancando por mais horas em escritórios e fábricas, enquanto uma enorme parcela de nós mesmo sofre da visão periférica de todo esse crescimento falso e manco da sociedade brasileira.
Não consigo pensar um uma solução, pois com um sistema carcerário que não ensina, e nem educa; escolas com professores mal ou nada preparados, alunos sem material e apoio familiar; políticos bem intencionados sem preparo e políticos nada coletivos no poder; e nós jovens universitários, suposta elite intelectual do país, permanecemos de olhos fechados, ouvidos tapados a força por nossas próprias mãos, e boca selada por nossa falta de conhecimento, garra, coletividade e uma real preocupação pelo outro, culpa de uma incapacidade de visão, de planejamento futuro.
O PCC, o Comando Vermelho e tantas outros grupos organizados são CONSEQUÊNCIA e não causa.
Que acordemos, e possamos traçar um destino diferente juntos para um país que cresce economicamente e morre socialmente, porém não em partes, não em classes sociais, mas sim como um todo.
Um desabafo arranhado de um sonhador frustrado,

Rafael Granha Labate"

16 de maio de 2006

e a cidade está voltando ao "normal"


As rebeliões foram contidas
Os ataques pararam
O comércio reabre as portas
Nas escolas voltam as aulas
"...e a cidade está voltando ao normal"

33 Km de trânsito durante a tarde
Deputados e empresários
desfrutam suas luxúrias
Coronéis e delegados
retomam suas falcatruas

Agora é tarde
A cidade volta ao "normal"
Mas o hímem foi rompido
Em nossa alma ficou impregnado
O dia em que todos enxergamos

J. XiCo

Imagem de members.eisa.com/ ~ec086636/brazil_pix.htm

15 de maio de 2006

AO MEU AMIGO ORADOR REVOLUCIONÁRIO

"Dizes que me tornei um conservador.
Sou o que sempre fui em minha vida.
Não contes comigo para mover os peões.
Mas estarei a teu lado se quiseres virar o tabuleiro do xadrez.
Só sei de uma revolução verdadeiramente radical.
Esta foi a única real e séria.

Quero falar-te do dilúvio.
Mesmo assim até o diabo perdeu seus direitos.

Sabes que Noé instaurou a ditadura.
Refaçamos esta revolução de forma completa

Para isso precisam-se de homens e mesmo de oradores.
Tu, portanto, é que deves procurar a água da inundação.
Eu fornecerei os elementos para explodir a arca."


Henrik Ibsen
^^

não-cegueira temporária


- o que? o que foi??
- como o que foi?! olha a zona que tá a cidade!
- ah isso! que que tem?
- como "que que tem"?! VOCÊ É CEGO?
- semana passada a PM matou meu primo, um superior da faculdade desviou 200.000 de verbas públicas, não passou Chapolin no SBT, morreram 22 pessoas de doenças respiratórias em volta da Bann química, pelo menos 14 crinças foram violentadas sexualmente, os deputados receberam seus salários de mais de 10.000... o que você perguntou mesmo?
- não, nada não...

J. XiCo

obs.: imagem de F. Monteiro, retirada do blog http://retratosdumavida.canalblog.com/

CAOS , é o caos!!!!!

peço licença ao julio...

essa cidade tah o caos!! o mundo tah o caos!!! Iraque, São Paulo, Rio de Janeiro, EUA!!
serah q ninguém percebe?!! Os dominados somos nós!!! vítimas inocentes dessa merda de sistema carcerário e político!!!!
Ficou óbvio, do q eu jah estava quase certa, q o ESTADO eh um caos! Os políticos filhos da puta de ternos importados geram o caos!! a polícia eh o caos!!! os bandidos filhos da puta geram o caos!!
e nós... pekenos mortais... q estudamos, trabalhamos, e todo dia de manhã levantamos cedo, pagamos o pato por eles...
cada dia c prova mais q o povo eh q deve ser a voz e o comando da humanidade!

FUZILEM! BUM!!!!
Maria Fernanda

11 de maio de 2006

Poema


"...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."

Fernando Pessoa

Foto retirada de www.seizethelight.org/ bpress/cubanimages.htm

7 de maio de 2006

Desabafo

Namoro, casamento
carro, casa
coisas, coisas

Mochila, blusa
livro, diário
coisas

Tempo, idéias
Amor, morte
vida!

'Por ques' malditos
simplicidade abençoada
montanha russa

2 de maio de 2006

E não dizemos nada

"Na primeira noite
Eles se aproximam
E colhem uma Flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.

Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores
Matam nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia
O mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada."


Maiakóvski
^^

Viva os Bolivianos

E-mail da minha maninha (onee-chan) pra mim ^^
"Onii.....vc viu os bolivianos tomando a Petrobras???
O Presidente Boliviano nacionalizou as fontes de petróleo de estrangeiros, tornando um bem comum da pátria, assim os recursos não sairiam da nação e enriqueceriam outra...fui clara, ou ainda ta confuso???Bem...
Segundo fontes não confiáveis (rede globo) essa é a terceira vez q os bolivianos nacionalizam fontes de petróleo, das duas primeiras vezes os mais prejudicados foram nossos irmãos malvados do norte (EUA) dessa vez quem vai sofrer com os prejuízos economicos será o Brasil mesmo, bem feito, uma vez que explora os outros tem q perder seus direitos mesmo, quer dizer, qnd foi que ganhamos o direito de explorar uns aos outros e achar isso normal eu não sei...mas os carinhas tucanos da Globo tão loucos da vida com o Lula pq ele era amigo do outro Presidente...eles queriam mesmo que pelo menos ele parasse as mudanças vindas da "massa" mudanças para o bem "comum", afinal já que é o PT no poder e não o PSDB pelo menos seja útil para a burguesia e para o enriquecimento de poucos...caíram do cavalo, pq além de não proibir, não me parece q iremos brigar para pegar de volta os nossos poços..rs

Bem já ta tarde né?
pelo menos pra mim.
Bjo
Onee!

PS: vendo as manifestações do 1º de maio pelo mundo, da pra perceber que os únicos imbecis q se enganam ouvindo vários shows no "ibirapuera" e passam em branco por um feriado assim é no Brasil, nos outros países (pelo menos os da América) teve protesto e tal...até em Cuba eles se juntaram todos na pracinha pra ouvir Fidel falar...enqto isso, nós nos divertimos ouvindo o KLB nos animar no feriado... ¬¬" que sorte não????"

1 de maio de 2006

Estado vegetativo


Um homem e sua mulher estão sentados na sala de estar de sua casa.
Ele diz:
- Sabe, querida, um dos meus maiores temores é ter que viver em estado vegetativo. Já pensou que horror é depender de uma máquina? Se algum dia isso acontecer, por favor, eu gostaria que você desligasse a tomada.
Ela, sem pensar duas vezes, se levanta e tira a TV da tomada.

Foto retirada de www.ch-vexin.fr/ Medecine%20Physique.htm

teste

testando... maldito blogger >_<' cade os traços?!

COISIFICAÇÃO DO HOMEM


Nascemos cheios de esperanças,
O mundo, pelo nosso olhar de criança,
é grande, um gigante a ser conquistado,
que por nós será em breve domado;

Há o primeiro contato com conflitos da adolescência,
Sonhos, amores juvenis assalta-nos com insistência.
As primeiras decepções e dores, a exigir-nos penitência;
percepção de que há no mundo muita crueldade,
que ele não é feito só de amores, há desumanidade...

Que entre a terra, o céu, e o mar,
há mais mistérios e enigmas a desvendar;
que a felicidade é composta apenas de minutos fatídicos
a nos condenar, posteriormente, a tormentos oníricos.

Até o dia em que morre de vez em nós, num segundo,
o olhar de criança com o qual contemplávamos o mundo,
a nostalgia toma conta do ser, irremediavelmente, é doloroso...
Amanhecer para um novo dia, se torna cada vez mais penoso...

Morre o amor, a fé nos seres, ‘coisifica’ o homem,
humaniza-se e glorifica-se o vil metal ($)
morrerá o homem, eterno é o metal que nos consome...
Tolo bicho homem, verme da terra e p’ra ela voltará!

E, contemplamos o planeta cheio de seres alienados;
Destituídos de alma, correndo atrás do vil metal, bitolados.
Numa letargia louca, insana, demente, factual e desigual.
Nas ruas, muita gente aglomerada, entregue a solidão, abandonados...


Vanderli Medeiros

29 de abril de 2006

teste

ALÔ?!... Testando... 1, 2, 3, testando, 1, 2, 3...