Neste conturbado ano (no calendário gregoriano, convém lembrar) de 2006, as coisas estão realmente complicadas no Oriente Médio. Não que os anteriores tivesse sido melhores, mas neste ano as coisas foram (quase) às vias de fato.
O ano começou no calor dos protestos contra as charges de Maomé publicadas por um jornal dinamarquês. Na Palestina, que elegeu o Hamas como autoridade máxima, nada de novo no front, o que significa: nada de paz. O mesmo pode ser dito do Iraque e do Afeganistão, embora este ocupe bem menos os noticiários. O ano prosseguiu, embora a paz retrogredisse cada vez mais. Até que houve o auge: Israel praticamente destrói o Líbano, usando como desculpa o seqüestro de três de seus soldados pelo Hezbollah (ou Hezbolá, como preferem alguns jornalistas). Mas não acaba com o grupo. Poucas querras tiveram tantas baixas civis, afinal, o Hezbollah não é propriamente um exército (e sabe se valer de sua situação de movimento civil). Israel entrou numa guerra já perdida. Isso praticamente ao mesmo tempo em que o presidente do Irã, que não acredita no Holocausto e disse que preferiria varrer Israel do mapa, caminha em direção à produção de armamento nuclear (apesar de suas declarações de que o enriquecimento de Urânio é para fins pacíficos). E numa mostra de que ainda estava longe de acabar, uma citação feita pelo papa Bento XVI provocou nova onda de protestos. A citação, diga-se de passagem, é a única parte do discurso por ele feito que enfurace os seguidores de Maomé; todo o resto seria muito favorável, até poderia ser parafraseado por alguns líderes muçulmanos radicais.
2006 tem sido um ano difícil por aqueles lados mesmo. Por isso, não deixa de ser curioso que as principais datas festivas das duas religiões (OBS: religião, etnia e nação são coisas distintas, embora as fronteiras entre essas palavras sejam meio enevoadas naquela região), o judaísmo e o islamismo, estejam tão próximas no calendário. No dia 22 de setembro do ano de 2006 do calendário gregoriano, tem início, para os judeus, o ano de 5767. No dia seguinte, 23, é o início do Ramadã, mês sagrado do Islã.
Dentro desse espírito, o poeta árabe-israelense Salman Masalha propôs um projeto: apagar o passado e olhar para o futuro, numa nova nação englobando toda a Palestina e Israel, que passaria a se chamar Homeland (Terra Do Nosso Lar), em inglês mesmo para evitar discussões sobre origem hebraica ou árabe.
É uma boa iniciativa e mostra que, apesar das opiniões (e ações) de alguns líderes, ainda é possível acreditar que seus povos não querem que o fim do mundo tenha início naquele pedaço de terra, que o petróleo torna explosivo. Não é muito, mas é um começo.
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L.Kiyoshi. from Vietnan
23 de setembro de 2006
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