6 de setembro de 2006

Neologismos - Cadê eles?

Vivemos uma era bastante pobre. Não me refiro a riqueza material, pois elas circulam pelo mundo cada vez mais (embora sempre nas mesmas mãos). A riqueza a que me refiro é abstrata. Há tempos, não se cria novas palavras.
Desde a criação dos tipos móveis, e a distribuição das obras em escala industrial que essa invenção proporcionou, é cada vez mais raro o aparecimento de novas palavras. Mas é na época atual, da Internet, da globalização, quer as palavras se cristalizaram de vez. Os "erros" e "enganos" são corrigidos em tempo real. As invenções e descobertas contemporâneas recebem nomes compostos de partes cuja raiz pode-se seguir até o longínquo latim clássico. E o que não recebe nome vindo do grego arcaico é batizado por outra técnica: o estrangeirismo. Muitas coisas tem seus nomes tirados de palavras correntes em línguas estrangeiras (em especial, do quase onipresente Inglês). E ainda há siglas que acabam virando palavras.
Não concorda? Diga então uma palavra genuinamente brasileira, que foi simplesmente inventada, sem que se possa percorrer toda a sua etimologia até o proto-indo-europeu falado na Idade do Bronze ou retirada de línguas indígenas ou orientais. Uma palavra que não se parece com nada.
Exemplos correntes: computador, objeto tão presente em nossas vidas (tanto que permitiu a elaboração e publicação deste texto), por exemplo, tem origem em computar (calcular). Customizar, vem do inglês custom (personalizado). E muitas das palavras que "parecem" ter surgido do nada seguem caminhos razoavelmente parecidos.
Não há mais criações elegantes e ao mesmo tempo práticas nos tempos atuais. Metáforas e catacreses as substituiram. Não temos palavras contemporâneas. É uma era realmente pobre.

(OBS: Como devem ter notado, não há neologismos neste texto.)

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L.Kiyoshi. from Vietnan

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