"Convite a reflexão e a uma resposta, não só agora, mas constantemente:
O estado mais importante da federação encontra-se fora dos trilhos, sem condução, e totalmente perdido entre corrupção, desigualdade social, terror e pior, frustração.
Seria muito hipócrita da minha parte dizer que sou dos que mais está assustado, ou sofrendo com a situação de caos que sofre o estado de São Paulo. Posso pegar meu carro, sair da minha segura casa, chegar até a universidade pública na qual há um grande esquema de segurança, ter aula e voltar calmamente ao conforto do meu lar.
Mas olhar a falta de algum tipo de perspectiva por parte dos cidadãos da nossa cidade é no mínimo triste.
Policiais pobres aos seus 20 anos, buscando um caminho decente para vencer em um sistema brasileiro no qual não há nenhum tipo de comprometimento por parte de nós ou muito menos dos governantes em fornecer um sistema decente de educação.
A busca pelo enjaulamento em nossas casas, em frente a televisão, nós xingamos, esbravejamos, até choramos, e em coisa de segundos mudamos o canal em busca de uma novela para ver se esquecemos da baderna, da zona, da desorganização que vivemos.
A luta vazia e manchada entre governantes, por algo que não é cabível pensar, o poder dentro de um país que vive a margem do amadorismo administrativo, do populismo cuspido e da relação pública-privada prostituída, nos faz repensar o que deve ser feito dentro deste país, desta nação, deste povo. Ouvimos sobre reforma geral, sobre re-estruturação e por fim, o que nos cansa, é tanto falar e pouco agir. E não falo aqui de poderes separados, falo de sociedade, de nós - engrenagem pública tanto de contestação quanto de ação. Em São Paulo um partido a 12 anos no poder e uma clara impotência de gestão social, um prefeito que se elege e abdica, um governador que abdica e quando estoura uma crise com seu vice não dá as caras e um presidente que sem comando fica nas costas do ministro do judiciário. Amadorismo!
Que vivemos uma guerra civil intrínseca, nas raízes do abismo social, não é notícia nova a nenhum de nós, mas infelizmente a cultura ao profissionalismo e a falta de renda e serviços públicos faz com que lutemos contra nós mesmo por empregos cada vez mais exploratórios, nos trancando por mais horas em escritórios e fábricas, enquanto uma enorme parcela de nós mesmo sofre da visão periférica de todo esse crescimento falso e manco da sociedade brasileira.
Não consigo pensar um uma solução, pois com um sistema carcerário que não ensina, e nem educa; escolas com professores mal ou nada preparados, alunos sem material e apoio familiar; políticos bem intencionados sem preparo e políticos nada coletivos no poder; e nós jovens universitários, suposta elite intelectual do país, permanecemos de olhos fechados, ouvidos tapados a força por nossas próprias mãos, e boca selada por nossa falta de conhecimento, garra, coletividade e uma real preocupação pelo outro, culpa de uma incapacidade de visão, de planejamento futuro.
O PCC, o Comando Vermelho e tantas outros grupos organizados são CONSEQUÊNCIA e não causa.
Que acordemos, e possamos traçar um destino diferente juntos para um país que cresce economicamente e morre socialmente, porém não em partes, não em classes sociais, mas sim como um todo.
Um desabafo arranhado de um sonhador frustrado,
Rafael Granha Labate"
18 de maio de 2006
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